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agricultura celeste

e toda noite se perguntava quão tolo seria aquele que plantara estrelas esperando a noite em que abriria a janela e, satisfeito, contemplaria um céu de luas.

 

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reflorestamento de nós

dentro das órbitas, esférica sequoia talhada
o cerne pupílico, envolto em humor
mitológica moléstia de visão petrificada
doce alburno, das chuvas interiores condutor
se dessa medula apenas vestígio, da outra, razão de ser
do seu lenho extraio estrutura
talhador exímio, arte pura
do seu olhar, meu florescer

 

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efeito ponte

quando a nuvem de gafanhotos se aproximou já não havia colheita a devastar.
no lugar do espantalho, estafermo.
era guerra retraída, silêncio incômodo.
como se a terra desistisse de suas crias e a gravidade não funcionasse por alguns instantes e toda aquela neblina verde começasse a flutuar docemente, sem zunidos, sem anseio.
apenas um breve rangido do eixo impediria o escavado tórax de sonhar.
e nesse exato momento, como que despertada pelo metal, a atração mútua dos corpos voltasse, e covardemente vencedora, a terra recolhesse os seus em golpe seco.
o tórax viria abaixo em estridente baque e a caelifera chuva tornaria novamente verde a plantação.

 

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alforria profana

se me afagas demente
do alto de teu sono latente, nesmeyana
é pra depois a vida ter valor

se passivo deleito e cultivo
nesta espera insana
uma tal simpatia pela dor
é sabendo que vivo
como quem flana
satisfeito
pelo impossível
hora ironia, hora esplendor

um olho me guia
tangível a tudo que emana
o outro
inatingível
inebria o sentido
alforria profana
e tateia teu timbre
e degusta o olor

se teu ser aldrúbio
desencadeia nostalgia
e cativa
o meu olho transgressor
ao sóbrio nada suscita
mas como o olhar me é dúbio
é com essa vista bendita
que sigo na expectativa
hora euforia, hora torpor

 

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dispersão

o vento frio se contrai sobre a minha pele como quem implora por um abraço já rejeitado por uma paulicéia inteira.
gotículas imperceptíveis de água se aninham no meu cabelo.
ou será o mais novo caso de psicocinesia recorrente espontânea?
acho que não, estas mesmas vieram a desenhar delicado mosaico a milímetros de minha pupila.
cada palavra faz-se névoa, demonstrando fisicamente a efemeridade do dizer.
senti-me uma lagarta a baforar vogais de cima de um cogumelo.
a temperatura do lábio não condiz com a do tecido conjuntivo líquido que o faz corado. estava longe da hipotermia.
o céu, visto daqui, me parece um tanto quanto melancólico e me transmite uma sensação sonolenta e nostálgica de bem estar.
e eu me pergunto: seria térmica a sensação no céu da sua boca?

 

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por entre

pelo vidro
colméia concreta
me serve de paisagem
nada mais que personagens
urbana tribo
que o sol me veta

horizonte, cinza imagem
silhueta de apogeu
no reflexo, mais novela
de lá pra cá
de paisagem
sirvo eu

 

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inércia

ao abrir a porta deu-se conta de que esquecera de pular o segundo degrau da escada, como lhe era habitual.
obsessivo, voltou ao térreo como quem volta ao passado,
mas antes que pudesse perceber
já havia sido morto pela rotina.

 

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réquiem do abacateiro

era uma vez três árvores.
um extravagante e inconveniente limoeiro, um altíssimo e senhoril abacateiro e uma tímida pitangueira.
com o tempo o limoeiro revelou-se um tanto aturdido subindo no telhado e espiando meu irmão pela janela do quarto.
podamos meu irmão.
o abacateiro mostrou-se satisfeito, já que este era sempre a vítima tendo que suportá-lo a choramingar com o violão a cada fim de namoro.
a pitangueira, mais reservada, só expunha seu caráter durante uns dois meses no ano.
mas eram dois meses de intensa, deslumbrante e deliciosa exposição.
era uma família excêntrica e feliz.
cada um na sua espécie, todos no mesmo reino, divisão e classe.
o trio, que fora casa de inúmeros amigos imaginários meus, deixou-se abandonar em algum canto dos anos que começavam com “199″.
depois de muito tempo sem vê-los, passei por uma rua, em uma colina próxima, e pude vislumbrar o que acontecia por ali.
o limoeiro perdera muito de sua jovialidade, mas continuava a demonstrar certa extravagância ao manter uma bela composição verde-amarelo-prata.
a pitangueira quase não pude notar. encolhia-se em seu canto, mais introspectiva que nunca, a sonhar com os velhos tempos (e disso eu tenho certeza).
lamentava, talvez.
ao seu lado, onde antes se impunha o frondoso e acolhedor abacateiro, brilhava, em toda sua frieza metálica, uma imensa antena de tv.

 

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fotossensibilidade

a luz do sol reflete na água que o porteiro desperdiça na calçada.
reflete também nos ladrilhos brancos da mesma, revelando um tapete de purpurina.
reflito, andando sobre a via láctea.

 

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mais da mesma

nasci em são bernardo do campo, cidade que mal conheço, em outubro de 1988.
me chamei Naiara a gestação inteira e, de última hora, tornei-me Lígia.
se eu fosse menino, seria João.
aos 3 anos me mudaram para Sorocaba por conta de uma forte bronquite.
aos 4 comecei a fazer arte.
em 2007 me mudei para São Paulo, cursei Rádio e Televisão, tendo me formado em 2010.
escrevo desde que aprendi a escrever.
sou melhor com a grafia que com a fonética, melhor com as palavras que com as pessoas.
gosto das mesmas músicas que cresci ouvindo meu pai tocar no violão.
não gosto de letras maiúsculas, e não como carne.
me agradam cidades grandes, personagens excêntricos, e seres pensantes.

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